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Escola Digital

Espaço na rede dedicado à Internet como veículo de conhecimento e aprendizagem.

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Espaço na rede dedicado à Internet como veículo de conhecimento e aprendizagem.

Caminhamos para um ensino teórico onde é abandonada a prática. Ficamos pelos conceitos abstractos sem qualquer ligação à prática. Aliás é aqui que reside o problema do ensino da matemática em Portugal. Um exemplo que utilizo muito é o do teorema de Pitágoras, onde os alunos aprendem uma fórmula, mas, no entanto não sabem o que é, para que serve, o que significa e como surgiu. Os alunos sabem "papaguear" o que o professor transmite, mas no fundo não sabe o que é ou como funciona. Consegue até produzir o calculo certo mas na realidade não vai além disso, da operação matemática. Onde se fomenta a inteligência prática? Que é tão útil nos dias de hoje. Um aluno pode ter um excelente QI mas se não o aplica ou tira partido dele que lhe adianta? Sabe muita teoria, mas na prática... nada. Está destinado ao fracasso no mundo do trabalho.

Há que ligar os conceitos abstractos à realidade da vida. Caminhamos para a criação de gerações que não sabem como se fazem as coisas.

Não nos admiremos se um jovem não sabe medir com rigor, não sabe como se semeia um feijão e que esse feijão cresce e dá o seu fruto.

Não nos admiremos que não saibam ao fim de um curso superior fazer na prática o que aprenderam. É certo que é duro generalizar, mas uma boa percentagem de cursos que não se dotam de equipamentos necessários à aprendizagem prática das coisas como resultado tem pessoas semi-formadas que não sabem fazer, porque nunca fizeram. Já tive em minhas mãos licenciados, mestres que na prática não sabiam aplicar o que aprenderam, que aliás não aprenderam, porque a realidade é que não sabiam fazer.

O ensino deveria ter ao longo dos ciclos um vertente prática, uma forma de levar os alunos a produzirem os seus conhecimentos na prática, na experimentação para poderem entender como as coisas reagem à sua acção. Chegando por vezes ao erro e à sua ultrapassagem. A aprendizagem reside aqui. Reside em levar os alunos a aprender e não a transmitir conhecimentos que eles nem questionam, nem verificam se são verdadeiros, num simples acto de raciocinar.

Nos dias de hoje o professor transmite informação e o aluno adquire-a e depois reprodu-la nos testes. Mas será que aprendeu? Talvez não.

Não seria o ideal levar o aluno a experimentar e dai tirar os conhecimentos, construir o saber?

O saber tem que nascer da experiência, do contacto com a realidade, o aluno tem que retirar desse contacto o conhecimento que lhe vai ser útil, as competências. Aqui o professor deixa de ser o que transmite para aquele que acompanha e orienta. Aquele que leva o aluno a descobrir por si próprio.

 

Prof. Rafael Telmo

Pós-Graduado em Tecnologia Educativa

Lic. em ensino de EVT

Bacharel em Tecn. Comunic. Audiovisual